Saturday, September 16, 2006

Fussel relaciona a questão da irrealidade do mundo turístico a idéia de que a própria indústria turística é quem define o viajante como "alguém motivado por fantasias que o levam a sentir-se temporariamente equipado com um poder não habitual".

Ao lidar com essa dimensão de fantasia, presente na "irrealidade turística" Fussel vai assinalar que as fantasias turísticas frutificam melhor nos "não-lugares", espaços definidos justamente a partir de mediações que garantem a prévia familiarização do lugar pelo turista. A criação desse reconhecimento parece se constituir na variável independente da consagração do "não-lugar", que resulta de todo um processo de facilitação do deslocamento e da difusão de uma "linguagem turística" que se padroniza em diferentes partes do mundo.

O turismo faz do “espaço” um objeto, quando o enfrenta na visibilidade comercial do pacote,dos roteiros, da indumentária, dos acessórios e da bagagem, das passagens e bilhetes pagos a prestação, das estações de trem, das rodoviárias e , especialmente dos aeroportos.

Esse processo aponta para o fato de que ao vender-se o espaço, produz-se a não-identidade e com isso, o não-lugar, pois longe de se criar uma identidade produz-se mercadorias para serem consumidas em todos os momentos da vida, dentro e fora da fábrica, dentro e fora do ambiente de trabalho, nos momentos de trabalhos e de não trabalho.

Thursday, September 14, 2006


Grand Reality tour!


Após a leitura de alguns livros, percebemos que muitos tinham uma declaração em comum:

“O Turista viaja guiado pelas suas expectativas e desejos”


O ser humano é capaz de pagar milhões por uma experiência diferente. Vivemos uma mudança de paradigmas onde é mais importante ser do que ter. É possível imaginar alguém pagando US$20 milhões por uma experiência diferente?

No dia 28 de abril de 2001, Dennis Tito, um milionário norte-americano, de 60 anos, partiu rumo às estrelas. Estava em busca de uma experiência diferente. Viajou a bordo de uma nave russa Soyuz-TM32, que foi lançada do centro de Baikonur, Casaquistão. Dono de uma fortuna estimada em US$200 milhões, Tito pagou US$20 milhões pelos 10 dias de viagem de ida e volta ao espaço.

Dennis Tito tornou-se, assim, o primeiro turista espacial. Passou a maior parte do tempo tirando fotos. Gravou vídeo do trabalho dos cosmonautas, fotografou a estação espacial e participou de programas de televisão, rádio e internet.


Não é recente o conceito de que se viaja para restaurar a saúde, ou por status, de forma a obter um distanciamento temporário da sua rotina, conferindo um caráter de “não-cidadão” a pessoa que viaja, afinal ela está sob a proteção do título “ser turista” e portanto não ter obrigação de se integrar aos costumes locais.

Existem basicamente duas vertentes do turismo, o turismo romântico e o turismo coletivo.

O turismo romântico é aquele onde a pessoa se isola para observar paisagens, sendo um turismo mais contemplativo, de auto-conhecimento, e o turismo coletivo, onde como o próprio nome diz, é necessário várias pessoas para que ele aconteça.

Ambos são estimulados pela mídia de forma a criar grandes expectativas e desejos sobre os lugares e oportunidades que podem ser encontradas, porém irei tratar sobre esse segundo.

Cada vez mais as pessoas se interessam pelo “cotidiano” do outro. O surgimento de museus dentro de fábricas ou até de lojas que mostram o funcionamento e portanto o cotidiano aparecem cada vez mais e parecem despertar mais interesse.
Podemos perceber o que carinhosamente apelidamos de “turismo do reality show”, as pessoas estão mais preocupadas em ver como funciona o cotidiano das outras.

E não é só por isso que designamos esse nome ao turismo. Digamos que grande parte das regras dos reality shows se aplicam a esse turismo.
Explicando: Em um reality show as pessoas vestem personagens, tem o “coitado”, “ a namoradeira”, “o casal perfeito”, etc etc. Assim funciona no turismo. Acabam sendo mostrados bastidores irreais, ou “encenações do autêntico”. Cada um possui um papel, inclusive o turista.

As pessoas gostam de ver e ser vistas, e devido a isso podem ser subdivididas em vários “eu’s”:

- Como ela se vê

- Como ela é vista

- Como ela gostaria de ser vista

Entre outros.


Percebemos então que essa troca de informações não é meramente cultural, onde a pessoa visita pontos turísticos e sai por ai dizendo que conhece “Paris” porque visitou o Moulin Rouge e a Tour Eiffel (parte pelo todo).Existe também um jogo de identidades, onde cada um tenta mostrar a sua e por sua vez se vê refletido no outro, o chamado “jogo de espelhos” da antropologia.

Dessa forma não precisaríamos ir para tão longe quanto Paris, Milão, Flórida, etc, bastaria irmos ao shopping, ou a uma feira que faríamos o mesmo jogo. Ou até simplesmente continuar nossas vidas, uma vez que esse jogo é feito muitas vezes de maneira inconsciente.

Assim cada vez mais concluímos que o turismo, muito antes de ser descrito como conhecer lugares, deve ser descrito como o desejo do homem estimulado pela mídia e pelas expectativas que ela “planta”.

Wednesday, September 13, 2006

Abaixo segue a bibliografia levantada até agora e o porque de termos escolhido cada livro. Provavelmente com o decorrer da pesquisa mais livros virão... Por enquanto são esses:

WAINBERG, Jacques. Turismo e Comunicação: a indústria da diferença. São Paulo: Editora Contexto. 2003.

O livro trata na sua maior parte sobre a diferença como papel fundamental do turismo. Em cima disso ele coloca questões como o porquê de nos movermos além fronteiras em um mundo globalizado, onde os lugares buscam uma autenticidade maior. Trechos de Wang são encontrados nos parágrafos, onde podem vir a ser interessantes para nossas pesquisas. Ele alerta, por exemplo, que enquanto para o moderno era essencial o autêntico, para o pós moderno o inautêntico já não é problema, logo ele cita simulações do real que alguns hotéis o fazem.

BARBOSA, Ycarim. O despertar do turismo: um olhar crítico sobre os não-lugares. São Paulo: Editora Aleph, 2001.

Nele é tratado o turismo sedutor dos não-lugares e como os resorts criam esse mundo de faz-de-conta, onde um dos exemplos utilizados é a Disneyworld e outros resorts da Flórida. Também é colocado como a publicidade e propaganda acabam seduzindo o turismo para os não-lugares.

RODRIGUES, Adyr. Turismo e espaço: rumo a um conhecimento transdiciplinar. São Paulo: Editora Hucitec, 1997.

Deste foram selecionadas capítulos em que ajudassem na nossa pesquisa, um deles ‘’ Lugar, não-lugar e realidade virtual no turismo globalizado’’, nele trata em pontos como pegar o imaginário das pessoas e transformá-los em realidade onde novamente entra campanhas de marketing e publicidade. É colocado também mais exemplos de resorts como não-lugares, onde eles criam condições artificiais para o turista. É nesse capítulo que trata em pouco do nosso recorte da TGI ‘’ até que ponto o simulacro substitui a realidade, e podendo até superá-la?’’, onde hoje é utilizado cada vez mais a realidade virtual para reconstrução e simulação de ambientes sendo assim possível viajar sem sair do lugar. Outro capítulo que venha a ser interessante é ‘’ Oferta e demanda do turismo: o mercado turístico’’, onde ele da mais exemplos de não-lugares que geram altos lucros.

URRY, John. O olhar do turista: Lazer e viagens nas sociedades contemporâneas.

São Paulo: Studio Nobel/Sesc, 1996.

O livro trata principalmente do olhar do turista e como as mudanças sociais contemporâneas influenciaram nesta indústria.

Assim, através de exemplos (especialmente Grã Bretanha) o autor demonstra como era o turismo anterior ao séc. XIX e as mudanças que ocorreram até os tempos atuais, nos introduzindo a teorias de estudiosos do turismo, como MacCannel e Boorstin.

Juntamente com essa “linha do tempo”, nota-se uma preocupação constante em abordar a sociologia do turismo (os motivos que levam o ser humano a viajar, como ele reage a viagem, “jogo dos espelhos” etc), focando para como o olhar do turista é e pode ser atraído.

Também trata sobre algumas questões econômicas e estruturais do turismo, porém menos pertinentes com a pesquisa em questão.

BANDUCCI JR., Álvaro BARRETTO, Margarita. Turismo e Identidade Local: uma visão antropológica. Campinas: Papirus/2001.

Neste livro, também nos são apresentadas teorias de estudiosos do turismo, e discussões situadas especialmente no confronto do real com as expectativas do turista,e na “autenticidade encenada” do turismo.

Nele encontramos uma citação de Fussel a respeito da irrealidade do mundo turístico, muito pertinente ao tema proposto para pesquisa.

AUGÉ,Marc. Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade
Livro indicado pelo coordenador Fabrizio onde o autor propõe uma nova perspectiva à visão do lugar antropológico e dos lugares aos não-lugares. Nesse trecho do livro, o autor diferencia o lugar antropológico do espaço em relação à supermodernidade, e claro, juntamente com o não lugar.


YÁZIGI, Eduardo ; CARLOS, Ana Fani Alessandri; CRUZ, Rita de Cássia Ariza da - organizadores.Turismo: Espaço,paisagem e cultura.
Livro encontrado ao acaso na biblioteca da Belas Artes. Neste livro, uma coletânea de textos de vários autores, onde encontramos definições e exemplos de espaço, lugar e percepção. No capítulo: O turismo dos deslocamentos virtuais o autor nos mostra a relação, bem como a diferença da viagem e do turismo, e como é o olhar do turista
Já no capitulo O turismo e a produção do não-lugar o autor nos mostra um grande exemplo da indústria turística: a criação de espaços - tais como resorts - onde toda e qualquer ação do turista é pensada, e como o turista se enquadra nesse meio.






Take a Picture!


O turista já não é mais o andarilho itinerante à procura do exótico/outro visto na atmosfera das viagens, ao contrário, as facilidades turísticas banalizam o exótico e , pela abundância, desaparecem, progressivamente, as diferenças das imagens que desafiavam o conhecimento do eu, impunham a presença do “outro” e favoreciam a comparação metafórica. O turismo, ao contrário, favorece a metonímia. A parte vale pelo todo e é suficiente para despertar sonhos, lembranças, nostalgias e, sobretudo, o grande fator do mercado, a necessidade de repetir a experiência.

Trecho retirado do livro: Turismo: espaço, paisagem e cultura.

Infelizmente a foto destinada à esse post "desapareceu". Por certos probleminhas de inteligência superior, o cartão de memória acabou ficando no hotel. Por isso uma imagem até de certo modo, semelhante.

A foto em questão nada mais era do que um exemplo lindo de não-lugar: uma placa, onde havia um picto de uma câmera fotográfica. Um vez nesse local, o enquadramento da câmera pegava perfeitamente a típica "foto turista", ou seja você não precisa nem pensar pra tirar a foto. Tire a foto neste ponto que você sairá com uma belíssima recordação. Quer dizer: até nisso eles pensam por nós. O tal lugar fica em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. E ao observar as pessoas que ali paravam, eram poucas que procuravam um outro ângulo para suas fotos. A grande maioria achava a tal "placa" engraçada e claro, queriam tirar a foto alí.

É interessante observar que, muitas vezes os turistas percebem que estão sendo induzidos à determinada situação e mesmo assim aceitam, por tempo, curiosidade ou outro motivo qualquer. Isso me faz pensar se realmente o turismo deixou de ser turismo e acabou virando uma grande indústria manipuladora que não permite a reflexão do turista, o conhecimento, até o auto-conhecimento. Confuso, muito confuso..mas até que ponto isso corresponde a realidade?

O olhar do turista é construído através de signos, que representam o todo, por exemplo: um casal se beijando em Paris representa a "romântica Paris", em Londres, o prédio do Parlamento e a Torre de Londres representam Londres.

O turista contemporâneo é um colecionador do olhar, fazendo o frequentemente de forma superficial, já que cada vez mais o olhar é sinalizado com marcos que identificam as coisas e lugares dignas de serem vistas.

Esse ritual de registrar a imagem e, imediatamente, retornar a sua rota turística lembra até mesmo uma fábrica de linha de produção fordista: os turistas comportam-se como objetos que caminham numa esteira da fábrica.

Tuesday, September 05, 2006

No dia 7 de agosto recebemos o tema ‘’Turismo’’ como proposta da TGI.
A partir daí, começamos a pensar o rumo que iríamos tomar.

Após lermos uma reportagem na Folha de São Paulo (
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u55438.shtml) sobre um caso em Veneza que relatava um conflito de opiniões entre os gondoleiros e a prefeitura da região, onde a prefeitura propunha regras para a retirada de luzes néon e outros tipos de decoração ‘’brega e de mau gosto’’ dos barcos ancorados da região, por não atender à tradição do século XVI. Os gondoleiros replicaram dizendo que esses enfeites ‘’bregas’’ é que chamavam a atenção dos turistas, sendo então retrucados pela prefeitura onde ela diz que “É Veneza e não Las Vegas!”

Com isso começamos a fazer um recorte inicial, referente ao desejo de todos ainda buscarem se sentir únicos meio a uma globalização. Faz sentido?

No dia 28 de agosto apresentamos nossa proposta ao nosso orientador professor Fabrizio Poltronieri: turismo como experiência cultural, onde o indivíduo interage com outras formas de arte, religião, ecologia, diversão e etc.
De um lado, uma cidade contendo cultura local (com ou sem raízes profundas), e de outro,personagens vindos de diferentes realidades sócio-culturais, relacionando-se com a cidade e seus moradores: o turista.
A partir do momento em que o turista mostra interesse na cultura local ele cria oportunidades para refletir sobre suas próprias experiências e por meio dessa reflexão, redescobrir sentimentos e idéias antes esquecidas, ou mesmo imperceptíveis até aquele momento e descobrir também coisas novas.

- Confuso, amplo demais e sem núcleo! Disse o Fabrízio.

Agora tínhamos um problema nas mãos.
Então resolvemos questionar sobre “não-lugares”, assunto que o próprio Fabrizio havia comentado em aula, mas muito rapidamente.
Ao conversar com o professor ele nos disse:

“ Caso se interessem pelos "não-lugares", uma leitura inicial muito interessante é:

AUGE, Marc. Não-lugares. Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus.

qualquer novidade, me avise.”


Assim começamos nossa expedição à biblioteca.
A procura de um livro resultou no aluguel de 6.

A grande maioria trata de questões que circundam “o que leva o homem a fazer turismo” e de não-lugares, espaços onde existe uma quantidade muito grande de informações, descaracterizando um determinado lugar, ou impossibilitando uma troca de informações com qualidade.
Também se aplica à não-lugares o fato de ser um “refúgio” para o turista, uma vez que ele não precisa entrar em conflito com uma cultura diferente, já que neste não-lugar existem simulacros que possibilitam fazer o que quiser, muitas vezes até continuar na sua própria rotina.
Um bom exemplo de “não-lugar” seriam os resorts ou os McDonald’s.
Explicando: Se você viajar para algum outro país e encontrar um McDonald’s, certamente poderá pedir um sanduíche que conheça, sem precisar se expor tanto a uma cultura diferente.

Encontrei uma declaração em um flog (
http://www.fotolog.com/lu_li/) que explica bem isso:

“08/23/06
eu preciso de fotosss....ja q essa nao é tao nova, é no Mc de Milao, comer no Mc em outros lugares é mto bom, vc sabe q nao vai se decepcionar (...)”
Então levantamos o questionamento: “ No âmbito do turismo, até que ponto o simulacro substitui a realidade, podendo até superá-la?

Assim, pretendemos questionar o simulacro da realidade causada principalmente pelos não-lugares,mas também pelos cd-roms e até internet, já que atualmente existem sites onde se pode fazer turismo online, seja em tempo real, seja em “animação” feita com fotografias do local.


Até agora, todos esses apontamentos foram feitos por meio de uma leitura superficial.
Daqui em diante iremos fazer estudos mais profundos para abordar o tema.

Contamos com a opinião de todos!