Thursday, September 14, 2006


Grand Reality tour!


Após a leitura de alguns livros, percebemos que muitos tinham uma declaração em comum:

“O Turista viaja guiado pelas suas expectativas e desejos”


O ser humano é capaz de pagar milhões por uma experiência diferente. Vivemos uma mudança de paradigmas onde é mais importante ser do que ter. É possível imaginar alguém pagando US$20 milhões por uma experiência diferente?

No dia 28 de abril de 2001, Dennis Tito, um milionário norte-americano, de 60 anos, partiu rumo às estrelas. Estava em busca de uma experiência diferente. Viajou a bordo de uma nave russa Soyuz-TM32, que foi lançada do centro de Baikonur, Casaquistão. Dono de uma fortuna estimada em US$200 milhões, Tito pagou US$20 milhões pelos 10 dias de viagem de ida e volta ao espaço.

Dennis Tito tornou-se, assim, o primeiro turista espacial. Passou a maior parte do tempo tirando fotos. Gravou vídeo do trabalho dos cosmonautas, fotografou a estação espacial e participou de programas de televisão, rádio e internet.


Não é recente o conceito de que se viaja para restaurar a saúde, ou por status, de forma a obter um distanciamento temporário da sua rotina, conferindo um caráter de “não-cidadão” a pessoa que viaja, afinal ela está sob a proteção do título “ser turista” e portanto não ter obrigação de se integrar aos costumes locais.

Existem basicamente duas vertentes do turismo, o turismo romântico e o turismo coletivo.

O turismo romântico é aquele onde a pessoa se isola para observar paisagens, sendo um turismo mais contemplativo, de auto-conhecimento, e o turismo coletivo, onde como o próprio nome diz, é necessário várias pessoas para que ele aconteça.

Ambos são estimulados pela mídia de forma a criar grandes expectativas e desejos sobre os lugares e oportunidades que podem ser encontradas, porém irei tratar sobre esse segundo.

Cada vez mais as pessoas se interessam pelo “cotidiano” do outro. O surgimento de museus dentro de fábricas ou até de lojas que mostram o funcionamento e portanto o cotidiano aparecem cada vez mais e parecem despertar mais interesse.
Podemos perceber o que carinhosamente apelidamos de “turismo do reality show”, as pessoas estão mais preocupadas em ver como funciona o cotidiano das outras.

E não é só por isso que designamos esse nome ao turismo. Digamos que grande parte das regras dos reality shows se aplicam a esse turismo.
Explicando: Em um reality show as pessoas vestem personagens, tem o “coitado”, “ a namoradeira”, “o casal perfeito”, etc etc. Assim funciona no turismo. Acabam sendo mostrados bastidores irreais, ou “encenações do autêntico”. Cada um possui um papel, inclusive o turista.

As pessoas gostam de ver e ser vistas, e devido a isso podem ser subdivididas em vários “eu’s”:

- Como ela se vê

- Como ela é vista

- Como ela gostaria de ser vista

Entre outros.


Percebemos então que essa troca de informações não é meramente cultural, onde a pessoa visita pontos turísticos e sai por ai dizendo que conhece “Paris” porque visitou o Moulin Rouge e a Tour Eiffel (parte pelo todo).Existe também um jogo de identidades, onde cada um tenta mostrar a sua e por sua vez se vê refletido no outro, o chamado “jogo de espelhos” da antropologia.

Dessa forma não precisaríamos ir para tão longe quanto Paris, Milão, Flórida, etc, bastaria irmos ao shopping, ou a uma feira que faríamos o mesmo jogo. Ou até simplesmente continuar nossas vidas, uma vez que esse jogo é feito muitas vezes de maneira inconsciente.

Assim cada vez mais concluímos que o turismo, muito antes de ser descrito como conhecer lugares, deve ser descrito como o desejo do homem estimulado pela mídia e pelas expectativas que ela “planta”.

1 Comments:

Blogger Patrícia Costa said...

Oi gente...passando pra avisar que o endereço do meu blog mudou, tive problemas com aquele.
Agora é:
www.tgiportinari.blogspot.com
Não esqueçam de mudar aí nos links!
Valeu!
Bjos!

7:28 PM  

Post a Comment

<< Home