Wednesday, September 13, 2006






Take a Picture!


O turista já não é mais o andarilho itinerante à procura do exótico/outro visto na atmosfera das viagens, ao contrário, as facilidades turísticas banalizam o exótico e , pela abundância, desaparecem, progressivamente, as diferenças das imagens que desafiavam o conhecimento do eu, impunham a presença do “outro” e favoreciam a comparação metafórica. O turismo, ao contrário, favorece a metonímia. A parte vale pelo todo e é suficiente para despertar sonhos, lembranças, nostalgias e, sobretudo, o grande fator do mercado, a necessidade de repetir a experiência.

Trecho retirado do livro: Turismo: espaço, paisagem e cultura.

Infelizmente a foto destinada à esse post "desapareceu". Por certos probleminhas de inteligência superior, o cartão de memória acabou ficando no hotel. Por isso uma imagem até de certo modo, semelhante.

A foto em questão nada mais era do que um exemplo lindo de não-lugar: uma placa, onde havia um picto de uma câmera fotográfica. Um vez nesse local, o enquadramento da câmera pegava perfeitamente a típica "foto turista", ou seja você não precisa nem pensar pra tirar a foto. Tire a foto neste ponto que você sairá com uma belíssima recordação. Quer dizer: até nisso eles pensam por nós. O tal lugar fica em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. E ao observar as pessoas que ali paravam, eram poucas que procuravam um outro ângulo para suas fotos. A grande maioria achava a tal "placa" engraçada e claro, queriam tirar a foto alí.

É interessante observar que, muitas vezes os turistas percebem que estão sendo induzidos à determinada situação e mesmo assim aceitam, por tempo, curiosidade ou outro motivo qualquer. Isso me faz pensar se realmente o turismo deixou de ser turismo e acabou virando uma grande indústria manipuladora que não permite a reflexão do turista, o conhecimento, até o auto-conhecimento. Confuso, muito confuso..mas até que ponto isso corresponde a realidade?

O olhar do turista é construído através de signos, que representam o todo, por exemplo: um casal se beijando em Paris representa a "romântica Paris", em Londres, o prédio do Parlamento e a Torre de Londres representam Londres.

O turista contemporâneo é um colecionador do olhar, fazendo o frequentemente de forma superficial, já que cada vez mais o olhar é sinalizado com marcos que identificam as coisas e lugares dignas de serem vistas.

Esse ritual de registrar a imagem e, imediatamente, retornar a sua rota turística lembra até mesmo uma fábrica de linha de produção fordista: os turistas comportam-se como objetos que caminham numa esteira da fábrica.

1 Comments:

Anonymous Grupo Feira Livre said...

Fala grupo....
viemos avisar que colocamos vcs no nosso blog!!!esperamos que nao tenha problemas!!
E pra desejar aquela sorte no trabalho...

bjs

11:44 AM  

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